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Conta-me as tuas histórias. Fica para ouvir as minhas


11
Set18

Estive emigrada durante seis anos e meio e esta foi até agora a experiência mais importante da minha vida no sentido em que a mudou completamente. Criei um novo eu e descobri coisas sobre mim que eu ainda não conhecia.

Foi tão enriquecedor que às vezes é difícil explicar, por palavras, o orgulho que tenho nessa experiência.Deixo-vos a lista das cinco coisas mais importantes que aprendi.

 

1- Portugal é maravilhoso

Esta parece que não faz bem parte desta lista... mas faz!

Quem conhece Londres sabe que a cidade é magnífica e que o resto do país também tem a sua beleza mas desculpem-me... Lisboa é fora de serie! E o resto do país é absolutamente um paraíso.

Quando estamos fora do nosso cantinho é mais fácil dar conta que vivemos num país brutal à beira-mar plantado.

Ajudou-me a entender que a maior parte das vezes caímos neste erro em relação a tudo o que nos rodeia e por isso, hoje em dia, tento apreciar muito mais tudo aquilo que tenho.

 

2- Tudo é possível

Quantas vezes queremos muito fazer uma coisa mas acabamos por desistir só por pensar que aquilo a que nos propomos é demasiado difícil e nunca seremos capazes?

Quando cheguei a Londres só conseguia pensar dessa maneira. Na minha cabeça eu nunca ia conseguir aprender a língua, integrar-me e ser feliz. Saiu-me tudo ao lado e fui capaz de cumprir todos os meus planos.

Não desculpes as tuas inseguranças com o teu medo. Se estás vivo é porque és capaz.

Acredita!

 

3- Rir para não chorar

É isto e todos os dias!

Até determinada altura acho que me levava muito a sério e não me permitia falhar nunca.

Depois em determinadas situações e por estar num país diferente (e me acontecer tudoooooo) comecei a tentar ver as coisas de outra forma para que elas não me atingissem tanto.

Em suma, aprendi a relativizar e a rir-me de mim própria. Isto também me ajuda a focar a minha energia naquilo que realmente importa e não dispersar com situações que as vezes não têm sequer fundamento.

Todas essas histórias são agora histórias que conto com muito orgulho embora algumas sejam sobre momentos em que a condição de emigrante me fizeram sentir pequenina.

Mas se rires não tens mais nada com que te preocupar.

 

4- Ouvir é mais importante que falar.

Sempre tive um fascínio por ficar a ouvir pessoas contarem coisas delas. Tenho um interesse desmedido por ouvir histórias reais mas quantas e quantas vezes perdemos imenso tempo a debitar coisas e não ouvimos nada do que nos estão a dizer?!

Ouvir o que têm para nos dizer devia assumir um papel fundamental na nossa vida e isto porque às vezes nas experiências e nos conselhos dos outros entendemos qualquer coisa para o nosso caminho ou ficamos com outras ideias sobre o que fazer ou como agir.

O meu programa favorito? Uma mesa, um bom conversador, qualquer coisa que se beba e eu.

 

5- Ninguém pode escrever o teu destino

Não acabei eu de dizer que ouvir é mesmo muito importante? Pois é!

Mas também é importante aprender a filtrar aqui que ouvimos e aquilo que não se identifica connosco.

Tu escreves a tua própria história. Não deixes que ninguém te diga até onde podesir. 
O que os outros pensam sobre ti não é aquilo que tu és. 
Algumas pessoas não vão querer que tu chegues onde elas não te querem ver. 
 
 
 
Mais algum conselho para juntar a esta lista?

 

 

 

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24 comentários

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De David Marinho a 11.09.2018 às 09:25

Gostei imenso. Realmente é preciso sair da nossa zona de conforto para nos darmos conta do nosso potencial. E ainda bem que descobriste o teu.
Beijinhos
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De Anónimo a 11.09.2018 às 14:22

Só saindo da zona de conforto e que alguma coisa muda!
beijinho
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De Anónimo a 11.09.2018 às 13:56

Podemos fazer parte de ti!
Mas nunca seremos tu!
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De Anónimo a 11.09.2018 às 14:23

não sei quem escreveu este comentário mas foi das frases mais bonitas que já li.

um grande beijinho anónimo
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De Anónimo a 11.09.2018 às 23:30

Só nos conseguimos ver realmente quando saímos de nós próprios.
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De snacksoverthecounter a 13.09.2018 às 14:00

Completamente!
Beijinhos :)
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De Anónimo a 11.09.2018 às 23:34

Essa frase acompanha-me diariamente na minha ida para o trabalho. Há dias em que não a vejo e outros em que me ajuda a respirar. A ser eu mesma
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De snacksoverthecounter a 13.09.2018 às 14:01

Ninguém pode ser tu mesma por ti :)
Beijinho
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De Helena Faria - Design e outros Desvarios a 18.09.2018 às 10:43

Eu estive em Valência por seis anos (e passei três meses pela Geórgia entretanto) e revejo-me tanto neste texto! :) Por cá, quando voltei, diziam que eu agora era a "Helena 2.0", pelas mudanças positivas que notaram em mim :)
Gostei muito do texto!
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De snacksoverthecounter a 20.09.2018 às 01:50

É mesmo essa a sensação! vamos 1.0 e voltamos 2.0
Obrigada!
um grande beijinho
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De Paranoiasnfm a 18.09.2018 às 12:00

Muito bom! :)
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De francisfoto a 18.09.2018 às 13:28

Na minha modesta opinião e com conhecimento de causa, pois que também saí do país, a conclusão a que cheguei, foi de que, para que este pequeno rectângulo seja de facto "um jardim à beira-mar plantado", teremos que mudar e em muito, a mentalidade deste povo e, acima de tudo, torná-lo mais culto, facto pelo qual andou sempre à deriva, interessando à classe política, obviamente... aí, sim, seremos esse tal jardim de Thomaz Ribeiro (1831-1901).



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De francisfoto a 18.09.2018 às 15:10

Em 1896, Guerra Junqueiro dizia o seguinte, numa sua publicação: "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [...]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)' "... Infelizmente, nada mudou e assim continuaremos, enquanto não despertarmos para a realidade deste país, numa orientação dos seus políticos e numa falta de cultura do povo. Entendo a sua posição, quanto a defender este "jardim", pois e ao contrário de que possa pensar, sou mais português que a maioria que o dizem ser, só que vivo o estado da nação e tal é-me preocupante, nos caminhos que estamos a seguir. Enquanto entendermos que são os políticos que mandam no povo e não o contrário, estaremos condenados a uma sociedade e país, que não nos dará os melhores frutos, havendo que acordar, esquecendo o velho lema da avestruz...

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De snacksoverthecounter a 20.09.2018 às 01:53

Boa noite!
Refiro-me mais ao calejar do olhar por termos isto todos os dias.
Quando estamos fora este cantinho faz muita falta.
Mas ainda assim concordo consigo.
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De Anónimo a 18.09.2018 às 15:23

Parabéns pelo testemunho que poderá certamente ajudar muitos dos nossos emigrantes. No entanto é de lamentar que por vezes seja necessário sair do nosso país para o valorizar. Bem vinda novamente a Portugal e sorria sempre. É sem dúvida a melhor postura perante as dificuldades .
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De snacksoverthecounter a 20.09.2018 às 01:53

O calejar do olhar é um perigo!
Muito obrigada!
Um beijinho :)
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De Nuno Cruz a 18.09.2018 às 15:59

Excelente publicação. Sucinta qb e bastante motivadora. Parabéns!
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De snacksoverthecounter a 20.09.2018 às 01:54

Muito obrigada! :)

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