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Conta-me as tuas histórias. Fica para ouvir as minhas

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Conta-me as tuas histórias. Fica para ouvir as minhas

04
Jul18

E hoje abrimos esta emissão com chave de ouro.

Passam agora 5 minutos das 6 da tarde e deixa-te estar ligado aqui porque vou contar-te um segredo: O sonho da minha vida é ser locutora de rádio.

Algures em 2001 alguém disse pela primeira vez “a miúda tem voz mas é para a rádio.” Desde 2001 que não esqueço essa frase. Chamaram-me inúmeras vezes pela menina da voz de rádio e eu gostei sempre. Mesmo que o vosso interesse, malandros, fosse gozar com a minha voz grossa.

Desde de miúda esqueci muitas dores enquanto punha uns auscultadores na cabeça e acompanhava os programas de rádio. Um papel, uma caneta e uma imaginação poderosa levaram-me a fazer muitas e muitas horas de rádio.

A vida levou-me por outros caminhos, muito por culpa da minha falta de confiança em mim mesma. Mas não me esqueço, nunca, de imaginar o que fariam os locutores enquanto a música passava. Será que estariam a conversar? A preparar o próximo lote de música? Ou só estariam mesmo a ouvir as músicas? Eu imaginei isso muitas vezes. Não sei se vos imitei bem, mas dei sempre o meu melhor. Porque me fazia feliz ser ali aquilo que não era mas que queria ser de verdade.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rwynd6mBysI&w=560&h=315]

Foi-me oferecido anos mais tarde um rádio azul (daqueles que se leva aos altos berros para Carcavelos, em cima do ombro). Nunca mais o larguei. Fez parte da decoração de todos os meus quartos e ainda hoje olho para ele como a minha maior relíquia. Como o meu maior sonho nas minhas mãos. A antena já está partida mas continua a mexer com a frequência do meu coração.

Mesmo quando faltava a luz por longos períodos de tempo… eu tinha sempre um rádio ou uma telefonia muito pequeninos e a pilhas. Nunca me faltava a companhia e a tentativa de querer decorar as falas dos locutores.

A ausência da linguagem corporal fascinava-me. Era só o falar com as pessoas mais do que falar para as pessoas.

A rádio mudou e nem por isso deixou de ser rádio. Agora a rádio tem alguma imagem mas não deixa de ser rádio. Agora a rádio tem Instagram mas não deixa de ser rádio. Daqui a trinta anos a rádio vai ser muito diferente da forma como eu a conheci mas os meus filhos ainda a vão conhecer comigo a imitar os locutores, outra vez, só para lhes mostrar que a isenção da rádio fez muito mais por todos nós do que apenas mostrar-nos o top 20 das mais ouvidas.

Gostava sempre da Mega Hits. Depois passei para a M mas para a 80. Com paragem obrigatória as 08:15 na comercial, para a mixórdia de Temáticas.

A lista para o Pai Natal leva sempre o sonho de receber um Marshall. Quem sabe num dia cheio de magia.

Eu nunca cheguei à rádio mas a rádio nunca saiu de mim.

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