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Conta-me as tuas histórias. Fica para ouvir as minhas.

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Dom | 06.01.19

Não ter ninguém

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Entrou na sala onde todos os dias tantas outras pessoas dão entrada e sentou-se onde tantos se tinham sentado antes.Cada um com a sua história, as suas vidas e as suas gentes.

Um rosto tratado pela vida. Um sorriso construído pela história. O bom dia soou a mais um dos que todos os dias invadem-me os ouvidos e anunciam uma chegada. No processo de admissão respondeu à pergunta “quem é que o vem buscar?” com um simples e cortante, bastante mais complexo de aceitar para mim do que por ele, “ninguém”. Sorri. Pensei de dentro que não tinha entendido a pergunta. Era uma constante, ou melhor, talvez não tivesse entendido que precisava de alguém para sair. O meu coração concordou com o meu pensamento e a pergunta repetiu-se.

E Para mal dos meus pecados, a resposta também.
 

Quis tentar compreender aquilo que o meu coração teimava em bombear. “Tem que ter aqui um contacto para ser aceite no operatório.” Tentei fintar aquilo que me começava a parecer uma heroica história de vida.

“Tem o contacto do meu vizinho.” Pronto, descansei. Pelo menos um vizinho que estava ali para o que fosse preciso. Mesmo que fosse preciso pouco.

"Mas é só para estar aí. Ele não me vem buscar. O médico já sabe de tudo. Sabe que não me resta família e que os amigos já partiram. Eu não tenho ninguém menina, mas não se preocupe. Por isso pedi o contacto para o caso de acontecer alguma coisa de muito errado, está a perceber?

 

Eu percebi ali a vida. Eu trouxe dali um caixote de coisas para aprender.  Tirei o telemóvel do bolso.  Tinha 2 mensagens e 1 chamada não atendida. Tinha ali alguém.

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